Olá concurseiro!

 

Hoje vamos falar sobre um assunto que é pouco estudado nas aulas de português e nos cursos de redação: o paralelismo. Eu mesma, na minha prática de correção de redação, percebia que os alunos construíam certas estruturas “estranhas”, que pareciam estar incompletas. Sabia que havia um problema ali, mas não sabia nomeá-lo. Recentemente descobri que este problema era a falta de paralelismo da oração ou do período.

 

Para entender o que é o paralelismo, observe os enunciados a seguir:

 

  1. Ela queria grandes conquistas e que o mundo a admirasse.
  2. O governo deveria investir mais em saúde e educação. Se ele fizesse isso.

 

Após ler os enunciados 1 e 2 você consegue perceber que há uma quebra na leitura, um certo “ruído”? No enunciado 1, esta quebra não chega a atrapalhar a leitura, conseguimos entender perfeitamente o que foi dito, só que ele poderia estar mais bem construído. Isso porque os dois elementos sublinhados são complementos do verbo querer, no entanto, o primeiro complemento é um sintagma nominal, constituído de adjetivo + substantivo, enquanto o segundo é uma oração iniciada pelo pronome relativo que. Podemos reconstruir esse enunciado transformando os dois complementos em estruturas paralelas, neste caso, transformando-os em sintagmas nominais:

 

1.a Ela queria grandes conquistas e a admiração do mundo.

 

Já no enunciado 2, percebemos que a quebra na leitura é mais grave, pois parece faltar uma informação. Isso ocorre porque a oração subordinada introduzida por se deve necessariamente ser complementada por outra oração, pois a estrutura que SEMPRE devemos seguir é “Se x, y” ou “y se x”. Veja como fica este enunciado reformulado:

 

2.a O governo deveria investir mais em saúde e educação. Se {ele fizesse isso}x, {muitos problemas sociais seriam resolvidos}y.

2.b O governo deveria investir mais em saúde e educação. {Muitos problemas sociais seriam resolvidos}y se {ele fizesse isso}x.

 

Observando os dois enunciados e a reescrita deles, você pode perceber que ambos exigem estruturas paralelas, pois eles articulam dois complementos ou duas orações, por meio da coordenação e da subordinação. Ou seja, essas estruturas precisam ser construídas de acordo com um paralelismo. Este paralelismo pode ser sintático (caso dos enunciados 1 e 2) e semântico.

 

Paralelismo sintático: diz respeito à construção gramatical que articula dois ou mais períodos. Exemplos:

 

a.

Sua atitude foi aplaudida não só pelo povo, mas também seus companheiros de farda lhe hipotecaram inteira solidariedade.*

Sua atitude foi aplaudida não só pelo povo, mas também pelos seus companheiros de farda que lhe hipotecaram inteira solidariedade.

 

b. 

Senti-me despido pela angústia, não tanto por causa do perigo, mas também devido à relação que meu espírito artificialmente estabelecia entre a sua saúde e meu amor.*

Não só… mas também…

Não tanto… quanto…

 

Paralelismo semântico: diz respeito à articulação de sentido entre duas ideias. Exemplos:

 

a.

Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no ouvido.*

Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra em Campinas.

Fiz duas operações: uma no nariz e outra no ouvido.

*Exemplos retirados de Comunicação em prosa moderna, de Othon Garcia.

 

Como você pôde perceber, a falta de paralelismo pode causar não só uma leve perturbação na leitura do enunciado, como também a sua total incompreensão. Assim, ao revisar seu texto, é importante estar atento a este recurso e, caso perceba alguma falta de paralelismo, procure reescrever a frase, de modo a corrigi-la. É claro que na música e na literatura a falta de paralelismo pode ser um recurso estilístico interessante, como observamos nesta famosa frase do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: “Marcela amou-me durante quinze dias {medida de tempo} e onze contos de réis {medida de dinheiro}”. No entanto, na redação dos concursos públicos, você deve respeitar e utilizar o paralelismo, uma vez que se avalia o emprego correto da modalidade e da coesão e se valoriza a clareza e a objetividade.

 

Até a próxima semana!

Profa. Danusa

 

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