Texto 1

E se… não sonhássemos?

O sonho, que surgiu há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis, é importantíssimo no processo de aprendizado. Caso o homem não tivesse a capacidade de sonhar, você não estaria lendo esta revista, pois provavelmente ainda estaríamos na Pré-História – na melhor das hipóteses. O sonho, que surgiu há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis, é importantíssimo no processo de aprendizado. Segundo as suspeitas de alguns cientistas, a atividade mental noturna é também crucial para a preservação da espécie. “Sem sonhar, nossa capacidade intelectual ficaria comprometida”, afirma o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, da Universidade Duke, nos EUA. E o ser humano, esse animal tão frágil diante das ameaças da natureza, não poderia tirar tanto proveito de sua arma mais poderosa – o cérebro. O cenário não seria animador: a ciência evoluiria muito lentamente, viveríamos com medo de tudo e seríamos dominados por outros bichos sonhadores.

Isso tudo aconteceria se a nossa espécie como um todo não pudesse sonhar. Mas o fato é que algumas pessoas realmente não sonham. Elas sofrem de uma doença raríssima, a síndrome de Charcot Wilbrand, que geralmente surge após um acidente vascular cerebral e costuma vir acompanhada de problemas visuais. Além disso, alguns medicamentos, como os antidepressivos, podem reduzir, principalmente no início do tratamento, a duração da fase REM, que é o estágio do sono no qual ocorrem quase todos os sonhos. No primeiro caso, os resultados podem ser devastadores: amnésia, agressividade e ansiedade são alguns sintomas prováveis. No segundo, os próprios remédios ajudam a controlar os sintomas da falta de sonhos.

(Disponível em Revista Superinteressante. Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/se-nao-sonhassemos-446672.shtml>. Acesso em: 18/12/2017.)

 

Texto 2

Há nas obras completas de Jorge Luis Borges, escritor argentino e ícone da literatura universal, um profundo ensaio sobre “O Pesadelo”, no livro das Sete Noites, 1980. Lá, encontramos uma sacada do autor que diz:” A cada homem é dada, com o sonho, uma pequena eternidade pessoal que lhe permite ver seu passado próximo e seu futuro próximo”. Sabia Borges tanto quanto Freud que, nos sonhos que, diga-se passagem, é atemporal, presentificamos o nosso passado e atualizamos o nosso futuro. Sonhamos com pessoas queridas que já faleceram, para quem sabe, tê-los no presente; matar as saudades, “eternizar o tempo” e se satisfazer num reencontro. Ao mesmo tempo sonhamos realizando desejos que ainda são impossíveis no tempo presente. “Ao acordar, posso dar a esse sonho tão simples uma complexidade que não lhe pertence, posso pensar que sonhei com um homem que se transforma em árvore, que era uma árvore. Modifico os fatos, já estou fabulando”, prossegue Borges se referindo ao sonhar. Pois bem, sonhar é um recurso fantástico que está a serviço das nossas necessidades e intenções. (Disponível em http://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-moreno/post/a-importancia-do-sonhar-512117.html. Acesso em 18/12/2017)

Com base nos textos acima e no seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre as funções dos sonhos na vida dos seres humanos.

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