Olá concurseiro!

Continuando a nossa série em que analisamos o estilo das provas de português das principais bancas de concurso público, hoje vamos falar da prova de português da FGV. Para isso, analisamos duas provas, uma de um concurso para nível superior (Analista de controle – Tribunal de Contas do Estado da Bahia/2013) e outra de um concurso para nível médio (Técnico médio – Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro/2014). As duas provas são bastante parecidas, com a diferença de que, na primeira, o número de questões é menor (15 contra 20 na segunda) e parece se cobrar mais conhecimentos em gramática.

O que observamos nas provas da FGV é que a banca fornece um texto que serve como base para todas as questões, que são de múltipla escolha. A partir desse texto, a prova:

  • Pergunta sobre a função de certas palavras, expressões, parágrafos, frases e períodos no texto;
  • Solicita a identificação dos recursos linguísticos que marcam certas relações de sentido no texto (o que introduz, explica, marca, opõe determinada ideia);
  • Questiona sobre as características do texto e sobre o contexto em que ele foi produzido;
  • Avalia, a partir do destaque e da reescrita de certos trechos do texto, o conhecimento gramatical do candidato;
  • Cobra a leitura e a interpretação do texto.

Ao contrário das provas da Cespe e da Vunesp que vimos anteriormente, a prova da FGV parece dar um peso maior à gramática, mas mantém a tendência de cobrar este conhecimento de forma contextualizada. Veja o exemplo a seguir:

QUESTÃO 10

“Parece incrível, (1) mas os grandes operadores do sistema econômico e político tratam os problemas das cidades como grilos que irritam ao estrilar. Passados os incômodos de cada crise, (2) quem ganha dinheiro no caos urbano toca em frente seus negócios e quem ganha votos, (3) sua campanha. Só alguns movimentos populares e organizações civis – Passe Livre, (4) Nossa São Paulo e outros – insistem em plataformas, (5) debates e campanhas para enfrentar os problemas e encontrar soluções sustentáveis”.

Nesse parágrafo do texto aparecem cinco casos de emprego de vírgulas devidamente numerados; os números que indicam casos em que a vírgula foi empregada em função de idênticos motivos são

  • 1/2. (B) 1/3. (C) 2/3. (D) 3/4. (E) 4/5.

(Disponível em: http://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/concursos/defensoria_rj_2014_-_tecnico_medio_-_diagramada_e_pronta_tipo_1.pdf. Acesso em: 27 jan. 2015.)

 

Perceba que, nessa questão, a prova não pergunta quais empregos estão corretos ou qual a função gramatical dessas vírgulas, mas em que caso elas foram empregadas com a mesma função. Ou seja, não era necessário saber o nome dessa função, que neste caso é a de separar os elementos da enumeração, mas apenas identificar o papel que ela desempenha no texto. A resposta correta é a letra e.

Veja agora um exemplo de questão sobre a identificação de recursos linguísticos que marcam relações de sentido no texto:

10

Pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e o Data Popular revela que 54% das pessoas entrevistadas disseram conhecer uma mulher que já foi agredida por um parceiro, enquanto 56% afirmaram que conhecem um homem que já agrediu uma companheira”.

Nesse segmento do texto, a mulher é vista como vítima e o homem como agressor. O recurso linguístico para mostrar esse fato foi o de

(A) colocar tanto a mulher quanto o homem como sujeitos das formas verbais.

(B) situar homem e mulher como agentes das ações verbais.

(C) empregar, respectivamente, a voz passiva e a ativa.

(D) utilizar os verbos “dizer” (disseram) e “afirmar” (afirmaram).

(E) indicar que as afirmações foram fruto de uma pesquisa.

(Disponível em: <http://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/concursos/tce_2013_ns_analista_de_controle_externo_tipo_01.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2015.)

Nessa questão, pergunta-se como está marcada, linguisticamente, os papéis de vítima e de agressor. Neste caso, a resposta correta é a alternativa c, pois o uso da voz passiva quando se fala da mulher mostra que ela é o paciente da ação, ou seja, é ela que recebe a ação (agressão), enquanto o uso da voz ativa quando se fala no homem mostra que é ele que realiza a ação de agredir.

Assim, continue investindo na leitura e interpretação de texto, mas tente sempre pensar um pouco sobre o funcionamento gramatical de alguns elementos dos textos que você lê e procure exercitar seus conhecimentos de gramática por meio de atividades semelhantes ao estilo dessa prova. Essas práticas contribuem também para o estudo constante da redação!

Bons estudos e até a próxima!

Profa. Danusa