Texto-fonte

(…)Os algoritmos são conjuntos de regras e procedimentos lógicos definidos por programação para desempenhar certas atividades. Não são nada novos na computação, mas seu uso tem crescido para fazer a mediação de muitas atividades de nossa vida real. Eles podem resolver muitas demandas e problemas. (…) 

 

Algoritmo e Política

Os algoritmos, assim como os textos, filmes e músicas, não são “neutros”. Partem de contextos sociais, da cultura em que os desenvolvedores estão inseridos e são códigos que promovem certas seleções, escolhas e prioridades, descartando outras. Ao mesmo tempo, como os algoritmos estão mediando toda a nossa comunicação e diversas outras questões cotidianas – de segurança na cidade a acesso a serviços e produtos, definição de trajetos, informações sobre o clima, notícias sobre o mundo etc. –, eles são parte ativa da produção cultural. Por isso é importante discutir a “política” desses algoritmos e combater a visão difundida de sua suposta neutralidade.

No mundo atual, os potenciais tecnológicos e científicos têm sido usados primordialmente para avanços em acumulação de capital e geração de lucro para uma pequena parcela da sociedade e para um pequeno grupo de corporações. A ciência e o conhecimento, de modo geral, seguem concentrados em poucas universidades – geralmente centros de excelência financiados por grandes corporações –, localizadas em alguns países e comandadas por homens brancos que, por sua vez, não são afetados por problemas de discriminação e desigualdade social, estando à parte disso.

Movimentos sociais e organizações do terceiro setor, por exemplo, não trabalham com recursos em volume suficiente para garantir que o potencial do uso de algoritmos para soluções de problemas da humanidade se desenvolva concretamente. E, vale lembrar ainda, que boa parte das empresas de tecnologia tem compromissos legais, comerciais e base ideológica sediada na maior potência imperialista do mundo, os Estados Unidos.

Pensar os impactos dessas tecnologias na cultura, nos hábitos, nos cotidianos, e seu controle por poucos agentes torna-se importantíssimo. Se podemos ter tecnologias que permitem um mundo muito mais humano e democrático, precisamos refletir se elas estão sendo utilizadas para produzir este outro mundo ou se estão sendo elaboradas para perpetuar, aprofundar e ampliar a escala das desigualdades socioeconômicas e socioespaciais (…). (Texto localizado em http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/controle-de-agitacoes-civis-pelo-facebook-precisamos-falar-disso)

 

O texto acima apresenta uma questão muito pouco discutida, mas de suma importância para essa era tecnológica: a relação entre os algoritimos que desenham as atividades nos meios digitais e as questões políticas. Com base no texto acima e nos seus conhecimentos de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo discutindo os impactos dos algoritmos na cultura e no cotidiano dos cidadãos.

 

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