Olá, concurseiro!

Neste texto, serão abordados pontos importantes concernentes à leitura, à escrita e à construção de um hábito de ler de forma qualitativa. Você já parou para pensar e identificar de que forma você lê um texto e como esta forma influencia diretamente na maneira como você vai tratar as informações lidas e construir uma opinião sobre elas?

O ato de ler em si é muito estereotipado na sociedade. Remete a algo solitário, sem prazer, e é quase como se fosse um peso, já que normalmente se pensa nele como um caminho tortuoso para se chegar a outro fim (promoção, emprego, vestibular etc.), sendo que este último seria sim a grande gratificação.

Os próprios espaços coletivos para a promoção da leitura existentes na sociedade (as escolas e as livrarias, principalmente) estão desvalorizados de modo que à escola se atribui a culpa por não “adequar” os alunos às exigências do mercado e, no caso das livrarias, mesmo que nelas existam livros bons, a lógica e o sucesso estão relacionados ao lucro e o que ancora isso é a produção e o ligeiro alcance dos livros mais superficiais.

Pois bem, lugares como estes, que proporcionariam uma relação mais dialogada entre autores e leitores, uma vez desvalorizados, não ganham força para retomar a verdadeira dinâmica que envolve o ato de ler. Tal dinâmica consiste em proporcionar diálogos, aberturas e aprofundar conhecimento e, tão importante quanto, entender a leitura como uma atividade natural do dia.

Somos pessoas melhores quando lemos bons textos, pois eles nos provocam. Neles, conseguimos perceber um trabalho do autor o qual faz de tudo para nos convencer, apresentando argumentos inteligentes, os quais nos fazem pensar e sentir que aprendemos alguma coisa. Isso vale para bons textos em qualquer gênero, seja literário ou não.

Ainda considerando o questionamento acima sobre conhecer ou não como lemos, as dificuldades que prejudicam a prática de uma boa leitura por meio de bons textos são as seguintes:

A comodidade que oferecem os textos mais superficiais, de acesso fácil e rápido

Os textos que abordam seus temas de uma forma mais “mastigada” e superficial são fáceis de se encontrar, principalmente na internet. Se o conteúdo for longo então, a avalanche de resumos, esquemas e fichamentos aparecem muito mais do que as fontes originais. Isso, apesar de parecer muito tentador, te mostra somente o recorte que o autor do resumo/esquema/fichamento fez, o que te impede de exercitar a relação de ideias tratadas pelo autor dos textos na íntegra. Ter uma visão parcial não permite que você aprofunde o assunto a partir de relação entre a sua cultura de mundo e a do autor, perdendo, assim, a noção da complexidade de uma interpretação mais profunda sobre qualquer assunto.

A suposta falta de tempo para ler

Justamente pelo fato de a leitura não ser considerada, ao menos pela maioria das pessoas, como uma atividade integrada ao dia a dia, inseri-la na rotina seria quase que uma imposição. Em teoria, alteraria todo o planejamento ao longo do dia e impediria que o restante das atividades previstas fossem realizadas. Isso só revela a ausência da leitura no próprio processo de formação dos indivíduos, inclusive no processo de escolarização. 

A leitura como obrigação do tipo ‘cumprimento de tarefa’

Vamos pensar que você já tenha se convencido de que ler não seja tão ruim assim e encontre um texto bom para ler (seja por indicação de alguém ou porque você mesmo achou que valeria a pena). Você encontrou as brechas de tempo da sua rotina e selecionou o texto. Agora vem a tarefa: ler. Daí a outra dificuldade: ler, mas sem achar que aquilo é pesaroso e ruim, como se fosse só por obrigação.

Essa forma de encarar a ação de ler vem muito daquelas formas de ensino mais tradicionais da escola. Nelas, éramos obrigados a ler para responder as questões do livro ou apostila de modo que tudo se resolvia em localizar informação para ser bem sucedido nas notas.

Posso te dizer, concurseiro, que isso não te pertence mais! Vamos desapegar desse comportamento de aluno e assumir um posicionamento de estudante autônomo e maduro para lidar com o que se lê.

A decodificação dos conteúdos existentes nos parágrafos e a interpretação final como uma mera soma dessas ideias

Muitas pessoas apresentam esta dificuldade porque, quando vão ler, não consideram que o texto tem uma unidade, de forma que os parágrafos sejam harmonizados pelo autor para que essa unidade seja garantida. Quando perdemos esta noção de totalidade, o tipo de leitura que se realiza volta-se apenas à identificação de cada trecho do texto de forma separada.

Essa prática de leitura mais fragmentada nos prejudica em rastrear tanto o projeto de texto desenvolvido pelo autor quanto a progressão textual construída a partir deste projeto, ou seja, perdemos a chance de conhecer o caminho percorrido pelo texto quando apresenta suas ideias.

A compreensão do texto como um obstáculo

Aqui reside aquela pessoa que precisa ler, mas acha que o texto é uma pedra no caminho dela e não um aliado. A consequência disso é a procrastinação, podendo o texto nunca ser lido.

Isenção da responsabilidade do nosso papel como produtores de saberes

Por meio da leitura, compreendemos o mundo. Se nos cercamos de textos superficiais e mastigados, nossa forma de enxergar o mundo, as relações entre as coisas e o aprofundamento das ideias ficam prejudicados. Se lemos textos bem fundamentados, profícuos e complexos, ampliamos nossa rede de ideias e passamos a ver muitas possibilidades de interligação entre elas. Isso também se dá pelo aumento do vocabulário proveniente das boas leituras.

Socialmente, é esperado que tenhamos boas relações com a leitura, pois interagimos e construímos significados para as coisas do mundo também através dos papeis que assumimos como leitores ou não leitores. Em nosso país, a relação entre a ausência de leitura, baixa escolaridade e condições de pobreza é muito forte. Não podemos nos eximir desta responsabilidade de contribuirmos para uma realidade mais justa, na qual se criem condições objetivas para que mais pessoas tenham acesso à leitura, produzindo, dentro de nossa atuação profissional, conhecimentos que contribuam para a construção desta realidade.

Considerando as dificuldades elencadas acima, em qual(is) você se encaixaria? Tendo bem claras as dificuldades, fica mais fácil tentar saná-las ou ressignificá-las. Para isso, seguem algumas dicas que podem te ajudar:

1. Selecione algo para ler e faça deste texto uma companhia agradável para você

Independente do momento em que está vivendo, utilize os momentos de leitura como se fosse uma boa conversa com um amigo que te faz bem. Crie proximidades com o autor, seja em qual gênero for seu texto. Até mesmo um texto acadêmico ou legislativo é possível de ser encarado como uma boa companhia. No caso do primeiro, imagine que um cientista está falando com você e, no caso do segundo, um advogado te explicando as leis.

2. Estabeleça um objetivo quando for ler um texto

Tente sempre completar esta frase quando estiver lendo um texto: “quando eu terminar de ler este texto, quero…”; e então você deixa claro para você um direcionamento. Isso vai te ajudar, inclusive, a considerar a própria unidade textual e abandonar a leitura fragmentada.

3. Escolha gêneros mais reflexivos e de suportes confiáveis

Busque ler textos que analisem os temas e tragam relações de ideias dos tipos explicativa, de causa e consequência, de gradação, enfim, textos que fazem um encaminhamento interpretativo ao leitor e que deixem claros estas conduções.

4. Avalie o que leu, tentando construir bons argumentos

Analisar textos lidos ajuda na consolidação de sermos mais críticos. Um recurso que ajuda muito nesta avaliação é escrever comentários sobre o ponto forte do texto e o que precisaria ser mais esclarecido nele. Perceba que, socialmente, as pessoas discutem suas leituras por meio deste gênero.

3. Escolha gêneros mais reflexivos e de suportes confiáveis

Busque ler textos que analisem os temas e tragam relações de ideias dos tipos explicativa, de causa e consequência, de gradação, enfim, textos que fazem um encaminhamento interpretativo ao leitor e que deixem claros estas conduções.

4. Avalie o que leu, tentando construir bons argumentos

Analisar textos lidos ajuda na consolidação de sermos mais críticos. Um recurso que ajuda muito nesta avaliação é escrever comentários sobre o ponto forte do texto e o que precisaria ser mais esclarecido nele. Perceba que, socialmente, as pessoas discutem suas leituras por meio deste gênero.

5. Escreva, escreva, escreva!!!

Para organizar bem a interpretação que você faz de um texto, a escrita é o melhor recurso. Assim se completa o ciclo texto-leitor-texto: lemos, compreendemos, dialogamos e, por fim, parafraseamos as nossas leituras com o intuito de oferecer uma sequência de ideias aos nossos futuros leitores.

Em uma redação de concurso, por exemplo, pesa muito na avaliação o encadeamento de ideias. Para que isso seja construído de uma forma bem feita, há que se ter realizado uma boa leitura de um contexto, ter identificado um ponto de diálogo entre o texto lido e o que vai ser produzido e, por fim, há que se escrever de um modo claro a partir de uma sequência de ideias organizada, utilizando um bom vocabulário. Para que esse processo tenha êxito, é necessário um bom planejamento e uma boa execução por meio do treino da escrita.

Por ora é isso. Desejo que realizem boas leituras e que consigam cada vez mais identificar bons textos para lerem. Caso precisem de ajuda no início, peçam indicação de fontes de bons textos à nossa equipe do Concurseiro Preparado. Bom trabalho, concurseiros! Leiam muito e sempre. O hábito da leitura vai trazer boas consequências para a vida toda, não só para os concursos!

 

Profa. Aline Manfrim

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