Texto 1

A inclusão digital pode ser considerada toda a ação que permite que a informática e seus recursos estejam à disposição da população. Também visa melhorar as condições de vida dos cidadãos por meio da tecnologia. Segundo a professora Magda Silvério, coordenadora da Oficina de Inclusão Digital realizada pela Universidade Metodista, “não basta disponibilizar o computador e o acesso à internet, mas é preciso tornar possível a sua utilização, oferecendo o conhecimento para a utilização dos recursos”.

Para a professora, as vantagens da inclusão digital podem ser resumidas em democratização do conhecimento. “O domínio da informática ajuda na busca de outros saberes, de informações sobre seus direitos, cultura e origens”, diz. Entretanto, faz-se necessária a prática da navegação online, para que a mesma não caia no esquecimento. 

A inclusão digital é bastante falada no Brasil, mas ainda pouco realizada. Muitas regiões têm o acesso à tecnologia bastante escasso. Por mais que escolas ou empresas tenham computadores, é comum notar que não há acesso à internet ou instrutores qualificados para lidar com essa dificuldade. (Localizado em http://portal.metodista.br/noticias/2012/Abril/inclusao-digital-no-brasil. Acesso em 10/04/2017)

 

Texto 2

O analfabetismo, no Brasil, precede a inclusão digital. Os dados estatísticos revelam que (dados de 2003), em 2003, eram 31,3 milhões (24,8%) de analfabetos funcionais e 14,7 milhões e analfabetos totais. Apesar da taxa ainda elevada, o país avançou nos últimos dez anos. Em 1993, o analfabetismo atingia 16,4% da população; em 2003, 11,6%. A taxa de analfabetismo funcional era de 36% em 1993. Na definição da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o analfabeto funcional tem entre nenhum e quatro anos de estudo.

“Ele escreve textos simples e tem pouco entendimento do que lê. Já o analfabeto não consegue ler e escrever e, no máximo, só assina seu nome”, diz a pesquisadora do IBGE Bárbara Cobo, responsável pela análise dos dados de educação da Síntese de Indicadores Sociais (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo, 2005).

Os estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Anísio Teixeira apontam que no Nordeste do Brasil o problema do analfabetismo é mais grave. O Inep mostra que o índice de analfabetismo na faixa de 15 anos ou mais, no ano de 2001, de acordo com os dados do IBGE, era o seguinte: Norte 11,2; Nordeste 24,3; Sudeste 7, 5; Sul 7, 1 Sul 7,5 e Centro-Oeste 10,2. Só o Nordeste tem 50% (oito milhões) de analfabetos (Inep, 2005).

Assim sendo fica difícil encontrar alternativas que visem à inclusão digital em um país com tantos analfabetos. Seria preciso primeiramente acabar com o analfabetismo, fator principal também da exclusão social.

O assunto é complexo, pois todo cidadão tem direito ao uso integral das tecnologias da informação para seu bem-estar social. Em alguns casos, faltam condições sociais e econômicas e motivação pessoal para se alcançar o sonho de Masuda (1982), apud Botellho et alii (1994), da sociedade em rede, em um mundo totalmente conectado em que sobraria tempo para a sociedade investir mais em lazer, auto-aperfeiçoamento, criatividade e outras atividades não relacionadas com o trabalho.

Os desafios e o papel do Estado são questionados por Ferreira (2003) também, citando a sociedade prevista por Masuda:

A consolidação de uma sociedade da informação mais eqüitativa depende, portanto, da superação dos desafios elementares arrolados neste ensaio, no sentido de que as oportunidades que se abrem possam ser mais bem aproveitadas pelo Estado e pela sociedade civil. Ao colocar em prática um projeto de valor estratégico para o desenvolvimento brasileiro, antes que tenham sido resolvidas antigas questões da agenda política, o Estado pode, na mais simples das hipóteses, reproduzir uma estrutura social cada vez mais excludente e desigual, muito distante da concepção masudiana de uma sociedade da informação democrática e igualitária. Daí a necessidade de uma tomada de posição do Estado, comprometida com a eliminação desses entraves, por meio de políticas públicas voltadas para a real inclusão do cidadão, em um contexto em que a informação é preconizada como a nova força motriz do desenvolvimento.

Calligaris (2005) alerta sobre as dificuldades da inclusão digital e dos possíveis enganos que as iniciativas do governo podem gerar:

Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê-lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná-las a utilizá-lo em benefício próprio e coletivo. Induzir a inclusão social a partir da digital ainda é um cenário pouco estudado no Brasil, mas tem à frente os bons resultados obtidos pelo CDI no País, cujas ações são reconhecidas e elogiadas mundialmente.

Cabral (2005) aponta o mapa dos incluídos digitalmente no Brasil (dados de 2003):

[…]somente 8,31% dos brasileiros possuem acesso à Internet em suas casas e estes se concentram em áreas urbanas, nos bairros de classe média alta. Um grande contraste com os excluídos, que segundo o autor estão nas áreas rurais distantes e têm algumas dificuldades como educação e outros fatores de exclusão social, tais como idade, infratores, deficiência mental, que os torna digitalmente excluídos. (BAPTISTA, S. G. A inclusão digital: programas governamentais e o profissional da informação – reflexões. In: http://revista.ibict.br/inclusao/article/view/1515/1713. Acesso em 10/04/2017)

 

Com base nos textos acima e no seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema:

Inclusão digital: desafios e possibilidades

 

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