Texto 1

O patrimônio cultural de uma comunidade diz respeito a tudo aquilo que a identifica com aquele espaço. A ideia de patrimônio cultural agrega desde prédios, ruas, praças e monumentos que dizem das modificações e sobreposições da formação da dinâmica urbana de uma comunidade, até aspectos antropológicos que dizem da formação de um grupo humano como a língua, os ritos, as crenças e os costumes.

Nos últimos tempos, com o avanço tecnológico, a crise de paradigmas das ciências, o encurtamento das distâncias entre os países e culturas, temos buscado cada vez mais referências que nos ajudem a reconstruir o caminho que nos trouxe até aqui. Na atualidade tudo muda o tempo todo. O que é hoje amanhã não é mais. É desse processo de consciência da transitoriedade da sociedade que tomamos consciência da nossa efemeridade enquanto sujeitos históricos e então adquirimos a noção de continuidade e perpetuação. É daí que provém a necessidade da preservação do patrimônio histórico e cultural e de políticas que contemplem essa necessidade.

Porém, vale destacar que uma política de preservação patrimonial acontece de forma democrática, com a participação de diversos segmentos de uma comunidade. Afinal essa política interfere diretamente sobre aquilo que deve ser preservado e consequentemente instituído como referência para a construção da história local. É preciso que todos se apropriem dessa discussão para que ela não represente apenas as ânsias de poucos e possa contemplar a diversidade. O patrimônio histórico e cultural é aquilo que nos dá unidade, enquanto homens e mulheres de uma determinada comunidade, mas não podemos esquecer que essa unidade é fruto das diferenças, sejam elas regionais, étnicas, sociais, ideológicas, de religião, de gênero, etc.

Conhecer o nosso passado e preservar a memória e a cultura é requisito para as ações no presente.  É sabendo sobre como procederam aqueles que nos antecederam, nas mais diferentes situações, que agimos criticamente, espelhando-nos ou não em suas ações. Refletir sobre a memória é valorizar o passado e seus legados, é ser sujeito da construção da história, e isso é um pressuposto básico para o exercício da cidadania. (Localizado em https://patrimoniojovem.wordpress.com/2010/08/05/memoria-e-patrimonio-por-que-preservar/. Acesso em 21 de mai. 2018)

 

Texto 2

O patrimônio cultural, as cidades e os monumentos históricos passaram a ocupar lugar de destaque na vida cotidiana e na economia da sociedade moderna. O Estado participa ativamente deste movimento de valorização porque a ele cabe, na maioria das vezes, a decisão sobre o que será preservado através das ações de tombamento conduzidas em nível federal, estadual ou municipal. “Não é jamais por um mero valor intrínseco que um bem é preservado, mas por um valor que lhe é atribuído. Não é um discurso da sociedade mas para ela e que revela os pensamentos do grupo que classificou, inventou e inventariou bens”, fala a antropóloga Silvana Rubino, professora da PUC de Campinas e da Unicamp. Em sua pesquisa sobre o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que foi criado na década de 1930, e depois se tornou o Iphan, ela concluiu que, ao longo dos anos o Instituto construiu, de diversas formas, algo que hoje chamamos de memória nacional. Segundo Rubino, durante muito tempo o Iphan relacionou a ideia de patrimônio exclusivamente a cidades como Ouro Preto, Diamantina, Recife ou Olinda, privilegiando o chamado patrimônio de pedra e cal.

Foram eleitos como patrimônio basicamente a arquitetura barroca de Minas Gerais com uma distribuição temporal que recai sobre o Brasil Colônia. O que se preservou prioritariamente foi o patrimônio religioso. Os tombamentos desenham um país que tem, de um lado, uma concretude, que tem raízes, que se prova pelos seus monumentos, suas marcas. De outro, é um país imaginado. A antropóloga enfatiza a necessidade de “desnaturalizar” o processo de identificação e institucionalização do que conhecemos como patrimônio histórico. Ela levanta questões como: por que a cidade de Ouro Preto se tornou patrimônio nacional? Segundo ela, algumas mudanças começam a ocorrer a partir da década de 1980, quando as próprias instituições de preservação passam a entender que há outros patrimônios, outros saberes e outras populações. Exemplo disso é o pedido de tombamento de um terreiro de candomblé na Bahia. Ao mesmo tempo, essa mudança traz questões difíceis no sentido de delimitar o que é patrimônio, na medida em que seu novo sentido abrange muito mais possibilidades. (Localizado em http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/memoria/02.shtml. Acesso em 21 mai. 2018)

Com base nos textos acima e no seu conhecimento adquirido ao longo da sua formação, escreva um texto dissertativo-argumentativo, apresentando proposta de intervenção sobre o seguinte tema:

Patrimônio cultural e sua importância para o fortalecimento de uma memória social.

Clique abaixo para enviar sua redação para correção profissional!