Concurseiro, este será um texto difícil de ler – assim como foi difícil de escrever. Ele não é um texto complicado ou coisa do tipo. Eu me refiro ao tema, que é controverso e pode causar algum desconforto.

Se você chegou até aqui, provavelmente está se preparando para alguma prova (ou ao menos tem interesse em concursos públicos). Como você já deve ter percebido, a imensa maioria dos candidatos não passa. É por isso que você também não vai passar – e talvez você já saiba disso, embora não queira admitir, porque quer ignorar aquela “voz” interior que conta as verdades mais difíceis.

Calma, o objetivo deste post não é desmotivar ninguém.

De fato, é justamente o contrário: primeiro vou provar que você não vai passar em um concurso, e depois vou mostrar como reverter completamente essa realidade. Continue comigo para entender o argumento, que é interessante e provavelmente novo pra você.

Primeira verdade: você não vai passar, e eu posso provar isso

Eu sei que prometi uma solução, mas primeiro precisamos abrir o jogo e colocar as verdades na mesa: você não vai passar em um concurso. E com “você” eu me refiro à sua versão atual de si mesmo – com seu modo de pensar, seus hábitos, seus defeitos e suas dificuldades.

Veja, todos os aprovados em concursos têm características em comum: disciplina, foco, resiliência, uma verdadeira vontade de desempenhar seu papel no setor público e fazer a diferença. Só que eles não foram sempre assim. Assim como você, os aprovados passaram por um processo até chegarem a esse modo de pensar e agir. Alguns mais rápido, outros mais devagar… mas todos passaram por isso.

É muito provável que o seu modo de ser e agir ainda não seja o de um aprovado. Faça uma auto-análise bem sincera: você se dedica às horas necessárias e suficientes ao estudo? Quando você estuda, seu foco é realmente sólido e intenso? Você tem um plano de estudos que leva em conta, de forma estratégica, as características do edital e da banca? Sobretudo, você tem uma motivação interior tão forte que sua aprovação se torna algo inevitável?

Talvez você tenha alguma dessas características, ou talvez nenhuma delas, ainda. É por isso que você não vai passar – mas sua versão futura de si mesmo tem muito mais chances, se você conseguir se transformar nela.

Espero que você tenha entendido o argumento: você precisa se transformar em uma versão de si mesmo que está pronta para fazer tudo o que é preciso para passar. Sem vencer as barreiras atuais, todo esforço será em vão, uma perda de tempo precioso que você poderia dedicar a outras atividades.

Com isso em mente, passemos ao próximo passo, que traça um plano para que você se torne a versão aprovada do concurseiro atual…

Segunda verdade: você precisa se transformar em um aprovado, e isso não é nada óbvio

Pense nisso: você ainda não conquistou uma vaga no setor público porque não está pronto para isso – ou seja, ainda não é a versão de si mesmo que vai passar. Para remediar isso, basta você se tornar essa versão futura que tem chances reais de conquistar a vaga.

Isso não é algo que se alcança em um dia ou uma semana. Será preciso trabalhar ativamente para mudar essa realidade. Será preciso fazer tudo de forma sistemática e consistente. Você vai precisar ‘bater o cartão’ todos os dias.

Aqui vão algumas regras simples, então, para chegar lá:

Regra 1: Comece com um plano

Não perca tempo estudando aleatoriamente se você não tem um plano para isso. Não precisa ser nada complicado. Primeiro, pegue o edital da sua prova e leia-o até o fim, com atenção. A imensa maioria não se dá ao trabalho, e essa é uma das raízes do fracasso.

Feito isso, pegue uma folha de papel para cada matéria e copie os tópicos a serem estudados, bem como a bibliografia sugerida. Com essa visão geral, use uma agenda para distribuir o conteúdo no tempo que você tem até a prova. Procure não exagerar no número de horas diárias: é menos produtivo estudar muitas horas seguidas, já que energia e foco vão se reduzindo no tempo.

Importante: não ignore nenhuma disciplina. Por exemplo, a grande maioria dos candidatos de carreiras jurídicas se dedica muito ao estudo de leis e códigos, mas negligencia totalmente a redação, que chega a valer 50% da nota em algumas provas e é eliminatória e classificatória em muitos desses casos. Ignorar esse tipo de característica pode custar caro, porque de nada adianta se preparar para todas as matérias e falhar em uma parte tão importante da prova.

Regra 2: Disciplina e Foco

Aqui é onde a coisa começa a ficar mais difícil. Disciplina parece uma palavra fora de moda hoje em dia. No entanto, é invariável: apenas a preparação disciplinada gera aprovações. Você precisa de disciplina nos estudos, e sem isso, não há nenhuma chance de você passar.

Agora que você distribuiu a carga de estudos no passo anterior, é preciso definir os momentos do dia que dedicará aos estudos. Esses momentos devem ser blocos contínuos de tempo, não sessões picadas.

Crie blocos de até 2h cada, para estudo intenso e ininterrupto. Escolha um lugar tranquilo, silencioso, bem iluminado e sem tecnologia – exceto a estritamente necessária para os estudos, o que exclui seu celular. Se você assiste a videoaulas no computador, feche todo o resto que pode causar distração. Coloque o celular no silencioso e deixe-o em outro cômodo.

Quando a sessão de estudos começar, não a interrompa por nada trivial. Crie uma regra para si mesmo: só uma emergência real pode interromper ou cancelar uma sessão de estudos. NADA mais pode fazer com que você mude seus planos – nem telefonemas, mensagens, filhos pedindo isso e aquilo, compromissos com amigos, etc.

Você deve bloquear esses períodos na agenda, estudar com foco absoluto e jamais ceder por motivos leves. Se for difícil para seu cônjuge, filhos, família ou amigos entenderem que não podem interromper seus estudos por qualquer motivo, converse com eles sobre a importância da sua preparação e sobre a necessidade de foco e disciplina para poder chegar lá. Com o tempo, todos à sua volta entenderão como você leva isso a sério e passarão a respeitar isso. É possível, e pessoas como você conseguem chegar a isso. Basta querer e fazer acontecer.

Regra 3: Você precisa se manter motivado

Agora que você tem um plano e o está executando com disciplina e regularidade, os resultados vão começar a aparecer: maior facilidade para estudar, maior resistência a sessões ininterruptas, domínio crescente da matéria, maior taxa de acertos em exercícios, etc.

No entanto, com o tempo, a dimensão da tarefa poderá ser um peso que tende a causar desânimo, sobretudo se você já fez alguma prova e não obteve o resultado que esperava.

Diante disso, é preciso se “blindar” de antemão para evitar os efeitos da falta de motivação sobre sua rotina.

Há dois modos de motivação para uma tarefa: interna e externa.

A motivação interna é aquela que vem de você mesmo, e geralmente é a que gerou a vontade de passar em um concurso público. Pode ser pela realização profissional, pela remuneração, pela estabilidade, pelo projeto de vida que você tem, etc. Isso depende apenas de você, e você precisa alimentar isso diariamente lembrando-se dos porquês que o levaram a ser concurseiro. 

A motivação externa é aquela que, como o nome diz, vem de fora. São os incentivos que você recebe para continuar, o apoio das pessoas próximas, a expectativa de todos com relação ao seu futuro. Pode ser também fruto das necessidades de terceiros, como o futuro dos seus filhos. Como a motivação externa não depende de você, é preciso que você saiba procurar ajuda quando necessário – converse com sua família e amigos quando você sentir que está travando ou que está perdendo a motivação para continuar. Tome conselho de pessoas que realmente se importam com você e que querem seu bem. 

Faça parte de grupos de concurseiros (mas cuidado com o uso do tempo, já que isso pode se tornar uma distração!) e encontre pessoas na mesma situação pessoalmente, sobretudo se você estuda por conta própria. Grupos de estudo podem ser efetivos para algumas matérias, desde que o número de pessoas seja pequeno e que todos estejam realmente focados em resultado.

Regra 4: É preciso manter o equilíbrio

Por fim, o equilíbrio é a chave para que você consiga manter tudo funcionando bem. Separe um momento do dia e da semana para sua família e amigos, descanso, leitura e lazer.

Isso é fundamental para que você não chegue à exaustão. Entretanto, observe-se para não sair da linha por conta disso. Marcar um jantar com um amigo que você não via há tempos é um descanso que vale a pena; assistir a séries por 2h antes de dormir, por outro lado, é sair completamente dos trilhos. Faça um uso inteligente do tempo. Fuja, a todo custo, de “descansar” com a televisão ou Internet. Isso não faz bem de modo geral e coloca a perder seu trabalho de disciplina e foco até aqui.

Com essas 4 regras fundamentais, você vai progressivamente tornando-se a versão de si mesmo que tem chances reais de passar. É um trabalho contínuo, que não permite baixar a guarda. Não é a coisa mais fácil do mundo, mas precisa ser feito e vale a pena porque simplesmente funciona.

Duvida? Então experimente e me conte os resultados depois. Tenho a certeza de que você vai se surpreender 🙂

Um abraço,

prof. Alexandre

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