Olá concurseiro!

Depois do intervalo da semana passada, quando a professora Fernanda escreveu sobre como você pode se planejar para os estudos, vamos finalizar a nossa série em que analisamos a prova de português das principais bancas de concurso público. Hoje, para finalizá-la, vamos analisar a prova de português da Fundação Carlos Chagas (FCC).

Vamos começar pela prova do Banco do Brasil:
(http://site.pciconcursos.com.br/provas/18993675/2b59b3f4b9d8/prova_esc_tipo_001.pdf).

Nesta prova, foram aplicadas 15 questões de português, sendo a maior parte delas de interpretação de texto. Seguindo a tendência que apontamos nos posts anteriores, essa prova prioriza a avaliação da capacidade do candidato de ler e interpretar um texto corretamente, bem como de estabelecer relações de sentido. As relações de sentido nessa prova são avaliadas por questões que trazem reescritas de certos trechos dos textos de base e perguntam qual alternativa mantém o sentido do trecho original. Pergunta-se também sobre a equivalência de sentido entre certas expressões dos textos e sobre aspectos textuais, como clareza, conclusão, síntese, etc. Há apenas uma pergunta de gramática e ainda assim ela não avalia o uso correto da palavra em questão, mas o seu funcionamento no texto. Vejamos a seguir uma questão dessa prova.

(FCC, 2013) 6. A princípio refratários ao comércio com o exterior, os governantes chineses acabaram rendendo-se à evidência de que o comércio significava a injeção de riqueza na economia local.

A afirmativa acima está corretamente transcrita, com lógica e clareza, em:

(A) De início, os governantes chineses acabaram aceitando o comércio exterior, pois trazia riqueza na economia local, o que era contrário às evidências.

(B) A riqueza que entrava na economia local através do comércio com o exterior, os governantes chineses aceitaram esses resultados, apesar de ser contrários a eles.

(C) O comércio com outras nações no exterior, os governantes chineses acabaram percebendo a entrada de riquezas na economia local, mesmo se opondo a ele de início.

(D) Intrigados com a origem exterior do comércio, os governantes chineses evidenciaram que o tal comércio trazia riqueza para a economia desse local.

(E) Os governantes chineses que, de início, se opunham à abertura comercial com outras nações, mudaram seu posicionamento ao perceberem os resultados econômicos desse comércio.

 

Veja que, nesta questão, bastava interpretar o que dizia o trecho destacado e estabelecer uma relação com a sua paráfrase, expressa corretamente na letra e.

Outra prova que vamos analisar é a de analista judiciário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo (http://site.pciconcursos.com.br/provas/16954816/958943d5b5bb/prova_a01_tipo_001.pdf), que tem algumas diferenças em relação à prova anterior. Ela não só traz mais questões de português, como também apresenta mais questões sobre gramática, 7 ao todo. Diferentemente do que temos mostrado nas outras provas, a FCC parece cobrar o “conteúdo gramatical mais puro”, digamos assim, pois ela pede ao candidato que aponte o uso correto da gramática, e não o seu funcionamento em certos trechos. O restante das questões avalia a interpretação de texto e também as relações de sentido entre expressões e informações do texto. Vejamos um exemplo a seguir:

 

(FCC, 2012) 13. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:

(A) A argumentação na qual se valeu o ministro baseava-se numa analogia em cuja pretendia confundir função técnica com função política.

(B) As funções para cujo desempenho exige-se alta habilitação jamais caberão a quem se promova apenas pela aclamação do voto.

(C) Para muitos, seria preferível uma escolha baseada no consenso do voto do que a promoção pelo mérito onde nem todos confiam.

(D) A má reputação de que se imputa ao “assembleísmo” é análoga àquela em que se reveste a “meritocracia”.

(E) A convicção de cuja não se afasta o autor do texto é a de que a adoção de um ou outro critério se faça segundo à natureza do caso.

 

Nesta questão, a prova avaliava dois aspectos gramaticais: o uso correto dos pronomes relativos e das preposições (de acordo com a regência do verbo). Veja que aqui é necessário ter o conhecimento prévio sobre esses dois aspectos, pois a frase em si não ajuda muito a decifrar o funcionamento correto. Até porque há elementos que são usados erroneamente com frequência e que poderiam atrapalhar o candidato, como o uso incorreto da crase, na letra e, e do pronome onde, na letra c. A alternativa correta é a b.

Você pode estar se perguntando sobre o que motiva a diferença entre as duas provas, já que ambas foram formuladas pela FCC. Essa diferença se explica pelo nível de escolaridade exigido pelos concursos: enquanto o do Banco do Brasil exigia apenas ensino médio, o TRE exigia ensino superior. Dessa forma, de acordo com o nível exigido, há uma diferença também no nível de conhecimentos avaliados.

Até a próxima semana!

Profa. Danusa