Será que é tão elementar assim? Na verdade, se esta frase tivesse sido dita em algum momento, a intenção do Sherlock Homes seria a de dizer que a conclusão para um conjunto de hipóteses era óbvia. Mas, como ele poderia estar tão certo disso?

Estudar para a prova de Raciocínio Lógico-Matemático dos concursos tira o seu sono? Veja o que estamos preparando para resolver isso!

Quem elencou um conjunto de ideias que tornasse isso possível? Devemos o brilhantismo de Sherlock (e logicamente de Sir Arthur Conan Doyle, o escritor que deu a vida a ele em seus inúmeros livros), a uma personalidade histórica muito conhecida: ninguém menos que ARISTÓTELES. A lógica mais formal possível assume uma designação de lógica aristotélica.

Aristóteles, pai da lógica formal

Aristóteles, pai da lógica formal

A intenção de Aristóteles era a de mostrar o caminho correto para a investigação, o conhecimento e a demonstração científica. Infelizmente ou, para alguns, felizmente, a lógica aristotélica apresentava algumas limitações que, curiosamente, não eram tão lógicas, pelo menos para o grande Aristóteles.

Ele não percebeu que sua lógica era muito dependente da linguagem, ou seja, o sentido das palavras interferia na constatação de uma conclusão clara. Mesmo assim, durante a Idade Média, os pensadores continuaram a expandir a lógica de Aristóteles, utilizando a lógica para explicar as ações dos homens na procura da Verdade absoluta.

Já com o início do século XVI, o que dava sustentação à lógica Aristotélica foi o próprio estopim para demolição de suas raízes: o fato de a lógica não se utilizar do raciocínio indutivo. A experimentação ganhou muita força, permitindo que a ciência partisse de acontecimentos particulares para se chegar a verdades universais.

Para que a lógica mudasse de parâmetro, sua notação foi adaptada ao modelo de estudo da álgebra e, graças a Leibniz, seu estudo foi reordenado a parâmetros que poderiam ser sequenciados. Esse pequeno fato possibilitou o início da construção de máquinas inteligentes. Isso, direta ou indiretamente, deu início à era digital que vivemos hoje.

Já nos meados do XIX a lógica foi formalmente instaurada, de tal forma que nesse momento poderia ser calculada e anunciada com proposições. Esse fato possibilitou (com os devidos aplausos a George Boole) que a lógica se tornasse atemporal. Tratada agora de uma forma booleana, possibilitou o avanço do estudo da teoria dos conjuntos e no desenvolvimento dos circuitos dos computadores que conhecemos hoje. Durante todo o século XIX, os mais renomados matemáticos fizeram contribuições para que a lógica evoluísse para o que tratamos hoje das propriedades das proposições aos quantificadores – a teoria da lógica foi aperfeiçoada durante esse período.

Teria essa disciplina alguma consequência relevante à atualidade? Será que alguma coisa que utilizamos hoje foi possível graças a essa parte da história?

Tecnologia no Século XXI: sem a lógica, seria impossível de existir

Considerando que pesquisas recentes indicam que no Brasil já existe um aparelho de telefone celular para cada habitante e uma quantidade expressiva de computadores, já podemos perceber que nada disso seria possível sem a lógica.

Uma preocupação e aplicação da lógica matemática sempre foi o desenvolvimento de máquinas inteligentes. Desde 1642, com a máquina de somar de Pascal, passando pelo IBM-Harvard Mark1 até os PCs com microprocessadores, podemos constatar essa preocupação.

E, por fim, chegamos às últimas inovações, que incluem a cibernética e modelos de inteligência artificiais que a cada dia parecem menos artificiais…

Quem diria que, no fim das contas, meu caro Sherlock, o único adjetivo que não podemos utilizar nesse caso é o “ELEMENTAR”? Definitivamente algo a pensar enquanto você estuda raciocínio lógico para sua próxima prova de concurso, não?

 

 Prof. Marco Antonio Lopes

Bacharel em Matemática pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar)
e mestre em Ciências da Computação e Matemática Computacional
pela Universidade de São Paulo (USP), com doutoramento em andamento.