Texto 1

Não se vai a futuro nenhum negando o passado. É também para isso que se faz marca do vivido. Marcas no julgamento dos criminosos, marcas no ensino dentro das escolas e no debate em todos os espaços, marcas físicas, como o Memorial do Holocausto no coração de Berlim. A céu aberto e ocupando 19 mil metros quadrados de área nobre, bem perto do Portão de Brandemburgo, a escultura nos desestabiliza com a força de seus 2.711 blocos de concreto de diferentes tamanhos, projetada para produzir o sentimento perturbador causado por “um sistema supostamente ordenado que perdeu o contato com a razão humana”.

O objetivo de fazer marca do vivido não é promover penitência ou versões de punição bíblica. Não é de culpa que se trata. E sim de responsabilidade coletiva. As marcas servem exatamente para evitar a repetição. (…)

No conceito de responsabilidade coletiva, os alemães, mesmo os que ainda vão nascer, terão responsabilidade pelo que foi feito em seu nome, incluindo o Holocausto. Assim como nós, brasileiros atuais, somos responsáveis pelo que foi feito em nosso nome com os negros e com os indígenas. Não somos individualmente culpados nem responderemos legalmente pelo que nossos pais e antepassados fizeram, mas somos responsáveis coletivamente. Como diz Arendt: “Somos sempre considerados responsáveis pelos pecados de nossos pais, assim como colhemos as recompensas de seus méritos. Mas não somos, é claro, culpados de suas malfeitorias, nem moral nem legalmente, nem podemos atribuir seus atos a nossos méritos”. (BRUM, E. A lava Jato como purgação e maldição. In: El País Brasil. Disponível em http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/26/opinion/1498488947_331660.html.)

 

Texto 2

“Quando somos todos culpados, ninguém o é. A culpa, ao contrário da responsabilidade, sempre seleciona, é estritamente pessoal”.

“Nenhum padrão moral, individual e pessoal de conduta será capaz de nos escusar da responsabilidade coletiva. Essa responsabilidade vicária por coisas que não fizemos, esse assumir as consequências por atos de que somos inteiramente inocentes, é o preço que pagamos pelo fato de levarmos a nossa vida não conosco mesmos, mas entre nossos semelhantes, e de que a faculdade de ação, que, afinal, é a faculdade política por excelência, só pode ser tornada real numa das muitas e múltiplas formas de comunidade humana”.

 (ARENDT, Hannah, apud (BRUM, E. A lava Jato como purgação e maldição. In: El País Brasil. Disponível em http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/26/opinion/1498488947_331660.html.))

 

Os textos acima trazem uma temática em comum: Responsabilidade Coletiva. Com base nos excertos e nos seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo, relacionando o conceito Responsabilidade Coletiva com algum fato social no Brasil.

 

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